09 janeiro 2012

Cinco Sentidos.

Pudera eu tocar a Aurora
e ver tudo mudar de cores...
Elas que sempre me acompanham.
Pudera eu tocar em uma bolha de sabão.
Assim, com o indicador...
E ter todas as partículas evaporando em brilho.
Aquele brilho antigo e antiquado
que faz com que as coisas tenham um sabor diferente.
E sentir o cheiro da chuva
caindo sob o corpo em uma tarde quente de verão.

Pudera eu ouvir uma sinfonia nova ao longe
e saber que ela foi feita para mim.
Daquelas que enchem os olhos d'água.
Que faz o coração acelerar.
E o corpo estremecer.

Só que de pudera a gente não vive.
E de viver de pudera a vida se esvai.
Não sobra nenhum sentido.
Nem cinco, nem um.

Mas de poder os sentidos voltam
A vida se reconstrói.

Sobram os cinco e mais "uns".

03 janeiro 2012

Sentimentos...

Hoje, só um sentimento esquisito...

Que não se nomeia.
Que não tem filiação.
Carente de adverbio.
Antagônico e invasivo.
Talvez tenha vindo como Shiva
Que destrói pra construir.
Que se renova diante da dor.
Com seus olhos abertos
Invadido de mar em fúria.

Esperando o sopro suave do próximo suspiro...

17 dezembro 2011

BREGA.

O bom de ser brega
É não ter mais pudor,
Despudorar
Deixar de ser certinho
“desacertar” “desacelerar”
E se ser brega é falar de amor, breguiei.

Se breguiei,
Se errei,
Não me importei.
Mas só depois que inventei o breguiar
Que não conjuga o próprio verbo.
Reparou?

Coisas Minhas

Onde ver?
Faz-se a pergunta!
Que desnuda alma se encanta

Os poemas de Neruda,
As letras do Chico de Holanda,
A menina que roubava livros no quintal,
Shakespeare separando amantes no final.

De onde vem tanta loucura?
Que de amante assim se veste

O visceral de Plínio Marcos,
O distanciamento de Brecht,
O sarcasmo de Veríssimo enrugando olhares
100 anos de solidão, rascunhados pela mão

O cheiro da dama da noite e do jasmim,
A espera de um milagre, afeito em mim

Todos os Poetas Mortos
O lirismo de outras fotos
O final sem fim
O que tem
Linda moldura?
Só de olhar tanta dor cura

Dessas cores de Almodóvar
Rabiscada gravura
Quem não vê, já sabe
Quem olha, procura
E quem for embora
Verá só figura

Toda minha essa mistura.

08 novembro 2011

Cheiro.



Lá.
Lá.Tem.
Lá.Tem.Cheiro.

Tem cheiro de noites quentes e alaranjadas.
Cheiro de pizza e coca-cola.
Cheiro de TV, filmes e amigos.
Tem cheiro de cigarros na varanda.

Lá tem cheiro de incenso sempre aceso.
Tem cheiro de cachorro soprando com o focinho na fresta da porta.
Cheiro de tardes ensolaradas
Cheiro da sala invadida pela luz da tarde

Lá tem cheiro de novidade.
Tem cheiro de saudade.
Cheiro de silêncio.
E cheiro de passarinhos que te acordam de manhã.

Lá tem cheiro de primavera e de abelhas em flor.
Tem cheiro de café fresquinho.
Cheiro de chuva.
De bolinhos de chuva.

Tem cheiro de cama nova e de giz de cera.
Cheiro de nuvem e vento formando desenhos no céu.
Tem cheiro de sono e preguiça.
Cheiro de inspiração...

Lá.
Lá,Tem.
Lá.Tem.Eu.

01 novembro 2011

Sem fim.

Escrevo eu mesma nessas confusas e mal traçadas linhas.
Entremeio e entrelaço a música e a saliva.
Ouço passar o vento e sinto coisas que inevitavelmente ficaram para trás.

Agora a alegria desse silêncio fica por demasiado abstrato.
Visto de cima por seres imperfeitos,
Na serenidade dos sonhos de outrem.

Essa sensibilidade vulgar que me persegue arrepia todo meu corpo.
Agora eu sou toda poesia
Mas Pessoa já disse que poeta é fingidor.


Esse pensamento incerto de tudo garante uma estrela a mais no céu...

24 outubro 2011

Acordes





De noite tem sol e melodia.
Tem o doce sol da flauta.
Tem sonho e alma de mulher.
Lá tem primavera

Acordes.