19 outubro 2012

LEIA-ME!

Eu li você repetidas vezes.
Até te decorar.
Mas quando olho nos seus olhos...
Vejo que nunca soube te interpretar.

Tentei de todas as formas.
Fiz rabiscos, fiz gravuras.
Juntei tudo e colori as bordas...
Mas lá você não me deixou ficar.

Me apagou como borracha nenhuma faria.
Preferiu o mundo em preto e branco.
Ou preferiu viver nas suas próprias cores...
Aquelas que eu não soube habitar. 

Hoje as mesmas páginas que eu acreditei conhecer tão bem...
Estão em branco.
Ou preenchidas por uma nova história que desconheço.
As anotações ainda estão em mim...
E disso eu não posso e nem quero me livrar.

10 outubro 2012

OLHAR.

Hoje o que me encanta é o olhar do observador.
Alguns podem dizer que ESSE vê a vida passar, enquanto assume o papel de espectador.
Eu digo que não!

Aprendo todos os segundos.
Enquanto olho, sinto e vejo a vida acontecer...

A cabeça abarrotada de milhões de pensamentos.
Todos escapando, mas represados como um lago.

Eu poderia ficar horas em silêncio só com eles...
O risco é não voltar a falar.

A conversa é interessante, mas meus monólogos são surpreendentes.
Sim, eu criei um monstro.
E hoje?
Ele tem vida própria!

24 setembro 2012

SÓ SONHO.

Hoje senti teu cheiro em meu travesseiro.
Tuas mãos firmes.
Tua respiração em minha nuca.
O calor da tua pele.

Senti que tu me olhava.

Senti em ti desejo.
Senti que eu sentiria.
Senti que foi só um sonho ruim não poder te sentir mais.

Daí eu acordei.

PAREDE.


Convencendo as paredes do quarto.
Tudo é terra, poeira e cansaço.
Tento convence-las de que são feitas de aço.
São feitas de pedra.
São feitas de laço.

Tento convence-las porque a mim já não cabe.
Não cabe entender.
Não cabe pensar.
Não cabe sentir.

Caberá a mim esperar.
Insistir.

O que caberá dentro de mim?

Tentativa errante e frustrada de convencer paredes.

A quem eu quero convencer?
A quem eu quero enganar?

Logo eu que só sei amar... 

Onde começa o branco?

Foram tantas noites não dormidas.
Tanta abstinência de poesia.
Que meu espirito se calou.

Agora a força da natureza transpira poesia.
Cada gotícula de suor se atrai como um imã
Criando nuvens que se fundem com minha pele.

Os pequenos insetos fazem festa,
Uma incansável e inconveniente festa.
Parecem bailar perdidas em volta da luz.
... E tem lá seu brilho.

Poderosas rajadas de vento
Se chocam com meus ouvidos sonolentos.
Se parecem com as ondas enquanto me afogo no mar.

Eu ainda tenho medo de chorar mágoas antigas...
As idéias novas precisam de espaço,
Mas me falta o fôlego.

Aqui eu vejo o mundo de cima.
As luzes da cidade antiga.
O oceano e todas as cores.
... Que aos poucos se diluem
E se tornam branco.

Mas onde começa o branco?