31 janeiro 2013

PRA VOCÊ! PEDAÇO DO CÉU...

Hoje eu só queria você aqui...
Nem que fosse pra me perguntar se eu já fiz a compra do mês na sua geladeira.

Eu daria qualquer coisa pra ouvir sua voz dizendo:
"Quanto mais eu rezo mais assombração me aparece."

Hoje eu só queria esse par de olhos azuis.
Dizendo que me ama, daquele jeito torto que só você tinha.

Eu daria qualquer coisa pra ter você "irritado" me falando:
"Tá... deixa que eu faço isso pra você!"

Hoje eu queria você aqui...
Nem que fosse pra você me contar as histórias malucas da sua vida.

Eu daria qualquer coisa pra dividir minhas tristezas e alegrias.

Hoje eu só queria seus braços firmes.
Me conduzindo ao som da orquestra...
"São dois pra lá, dois pra cá."

Hoje eu daria qualquer coisa pra sentir o cheiro da sua comida.
Daquele resto de ontem que tinha na geladeira e que se transformava em um novo sabor.

Hoje.
Ontem.
Amanhã.

De tudo que eu tinha pra querer...
Eu só queria você aqui!




"Quando a saudade é demais a menina dos olhos d'gua se entrega a falta do pai!"

https://www.youtube.com/watch?v=UqCEPytSFqU

06 dezembro 2012

QUIMERA.

Ela, enfim, com o corpo exausto, se entregou.
Não foi o sono dos justos,
o sono dos fortes.
Foi o apocalipse, o fim dos tempos,
o fim da morte.

Pudera ela se entregar por inteiro.
Mas faltava metade, faltava-lhe a sorte.
Que se perdera, outrora...
quimera.

De pequenos pedaços, feito quebra-cabeça,
feito quebra-queixo, feito quebra-aço.
E faltava peça nesse entrelaço.

Pequenas fagulhas feitas de espaço.
Uma pausa, um contra tempo, um regaço.
Uma contra partida, um segundo, um abraço.

Com o corpo partido, em pedaço, no espaço,
o queixo de ferro e o peito de aço.
E no entrelaço, um regaço contido faltando um abraço.

Perdida no tempo, perdida na hora,
perdida na morte, entregue ao

cansaço!

29 novembro 2012

ACREDITE!

É inacreditável tudo o que acontece na minha mente...
Um lugar envelhecido, cheio de portas e trancas...
TODAS ABERTAS!

É quase um labirinto de Fauno.
É surreal e azul...
Um azul tão nostálgico, cheio de lembranças, de ruas e caminhos.
Por onde se pode deslizar e se esconder.
E escrever nas paredes e passarelas.

É um passeio infindável.

Lá cabem todas as coisas...
As reais e inexistentes.
Cabem todos os meus cheiros, minhas cores,
amores...
Cabe minha timidez, meu espírito.

Lá tudo cabe...
Cabem carros, moinhos e estantes...
Cabe até mesmo o Herbert Viana com seus óculos.
Tudo é feito de uma paisagem que liberta,

sufoca e faz rodar.
Roda tanto que me deixa boba, tonta, atônita.

Não é um modelo que se possa seguir.

Eu queria lavar com água e sabão, mas elas fazem bolhas e bolas e então, fico ainda mais encantada.

Tem uma placa banhada à ouro no corredor que dá acesso ao cofre.
Lá tem o mundo inteiro, que é o meu quintal...
Onde eu posso andar descalça na terra.
Dançar nua sem pudor.
Gritar bem alto e ser só eu!

... É inacreditável tudo o que acontece na minha mente...

28 novembro 2012

ALEATÓRIO.

Meu estômago se abotoa como o seu paletó.
Meu sorriso disfarça,
Feito palhaço sem graça,
Com o focinho na porta,
É de parar pra pensar.

Na sua farsa,
No seu paletó!

04 novembro 2012

DISSABOR




Ele está em um lago quase congelado.
Sua respiração requer força.
Os olhos já estão completamente negros.

Eu o vejo, assim, de fora.
Tento gritar mas o ar não sai.
Em mim só restam espaços vazios.

Ele está morrendo...
E me levando com ele...

Perco a força, o foco a fé.

Eu caio de joelhos na neve.
Não dói.

Não posso dizer que não sinto nada.
Era como se uma navalha me cortasse por dentro.
E como se tudo em mim houvesse sido sugado.

Só posso ficar ali, inerte, estática...
Enquanto minha parte mais bonita afunda no breu...
... E me leva com ela.



19 outubro 2012

LEIA-ME!

Eu li você repetidas vezes.
Até te decorar.
Mas quando olho nos seus olhos...
Vejo que nunca soube te interpretar.

Tentei de todas as formas.
Fiz rabiscos, fiz gravuras.
Juntei tudo e colori as bordas...
Mas lá você não me deixou ficar.

Me apagou como borracha nenhuma faria.
Preferiu o mundo em preto e branco.
Ou preferiu viver nas suas próprias cores...
Aquelas que eu não soube habitar. 

Hoje as mesmas páginas que eu acreditei conhecer tão bem...
Estão em branco.
Ou preenchidas por uma nova história que desconheço.
As anotações ainda estão em mim...
E disso eu não posso e nem quero me livrar.

10 outubro 2012

OLHAR.

Hoje o que me encanta é o olhar do observador.
Alguns podem dizer que ESSE vê a vida passar, enquanto assume o papel de espectador.
Eu digo que não!

Aprendo todos os segundos.
Enquanto olho, sinto e vejo a vida acontecer...

A cabeça abarrotada de milhões de pensamentos.
Todos escapando, mas represados como um lago.

Eu poderia ficar horas em silêncio só com eles...
O risco é não voltar a falar.

A conversa é interessante, mas meus monólogos são surpreendentes.
Sim, eu criei um monstro.
E hoje?
Ele tem vida própria!