27 dezembro 2017

ELE DETÉM TODAS AS CORES!



Ele tem uma constelação nos ombros e uma galáxia inteira dentro do sorriso.

Ele corre tranquilo como a água sobre a pedra, fluido, se acomodando no meu corpo.

Não se faz mais necessário estar de olhos abertos...

Tenho decorado toda sua geografia, cada curva, cada textura.

Cada cheiro, cada sabor.

Busquei, sem saber, esses contornos por toda a minha vida.

Com ele estaria revigorada e saciada mesmo no deserto...

Ele é o mar que invade a areia da praia.

As folhas avermelhadas do outono.

As colinas verde esmeralda que dormem sossegadas sobre a tarde.

As nuvens brincando de esconde-esconde com o Sol.

A chuva bailarina numa manhã de verão, evaporando ao primeiro toque no solo.


Ele é meu hangar e nele fiz morada.

03 dezembro 2016

Cinco Minutos.

Ele pediu que mantivesse meus pés no chão.
Queria que eu não sonhasse...

Me condenou a ter cinco minutos de alegria pra sempre,
apenas cinco minutos e fim.

... E tudo não passaria de uma lembrança estupidamente boa.

Ele não me conhece!
Sou feita de uma agonia fútil.
Estou sempre em queda livre e não tenho teto!

Não há medidas, metades, nem meios...
E isso me protege da mais completa insanidade.

Sendo assim, não posso me demorar ali...

Naquele coração tão submerso.
No olhar que vaga tão perdido.
Nas promessas e prisões que ele mesmo construiu.

... Ainda que as tenha revestido de amor.



15 abril 2016

CARTA DE (S) AMOR

A chuva se pronunciava lá fora
Mas nem uma gota chegou a tocar no chão, aquele que de tão quente causava vertigem.

Tolos.

Não ouviram falar que não se pode confiar cegamente nos sinais da natureza?
Ela é uma dama, dessas que se faz sádica por diversão.

Ele a comparava com ela, dizia que seus olhos escondiam tempestades.

O encontro deles não poderia ser em vão e certamente não ficaria impune.

O oceano se interpôs, os separando como continentes.

As palavras dele caíam como gotas de ácido sobre a cabeça dela.
Seu coração era como um relógio antigo, batendo atrasado e ecoando por dentro da moça que o esperava.

Ela era como uma casa assombrada de todos os seus espíritos, vagando na fúnebre esperança de em alguma vida voltarem a se encontrar.


15 julho 2015

O Mais Absoluto Som Do Silêncio.

Eram horas tardias, como de costume.
O vento travava uma luta contra as folhas das árvores.
... Não haveria vencedor dessa vez.

A noite foi invadida pelo ladrar de cães irritadiços.
A essa altura só o sussurro agonizante do tempo pairava no seu ventre.
Como a areia que escorre com ânsia pelo vidro
Almejando encontrar o sul pra recomeçar.

Foi assim, nessa noite com ausência de cor (como suas unhas)
que ela compreendeu a distância.

As notas de verbena reverberavam pela sua memória.
Cada esquina da cidade luz se fazia presente.
A tal ponto, que quase se podia tocar.

A saudade a abraçou e brilhou com tanta força
Que absorveu toda a escuridão.
Então já era manhã.

Agora dentro dela era quente
E suas lembranças tinham gosto de leite com mel.

Au Revoir.

#France 

15 fevereiro 2015

IN.SONE

O silêncio da madrugada ensurdeceu meus olhos de oceano.
Nada mais faz sentido.
Nem as cores que agora se perdem no breu.
Era pra ser só mais uma madrugada insone, mas meu mundo virou do avesso e esse não era meu lado certo.
O amarelo batendo à porta do passado.
O menino de vidro que volta e meia vive a me assombrar.

Não chore criança, não chore.
O sol vai se chocar com o arco.
E todos os sentimentos voltarão para as suas devidas caixas.
É triunfo.
Que todas as saídas a partir de hoje sejam sortie!
E que nem menos doze, esfrie de volta esse coração.
As mãos dadas voltarão a andar em vielas, nas minúsculas ruas, nas ladeiras e escadas intermináveis.
O quarto estará sempre quente, com chá a espera e delícias para adoçar o céu.
Da boca emergem palavras de amor.
Que engraçada essa palavra!

Ame criança, ame.
O barulho da madrugada acalmou meu coração.
As coisas começaram a fazer sentido e agora as cores emergem do breu.

Mas, por Deus!
Era só pra ser uma madrugada insone...

28 agosto 2014

Ele roubou meu caminhão.

O teto estava cada vez mais próximo, como quem vai sufocar.
Ela - eu, já tão viciada em tédio, nem se abalava.
Era rotineiro, costumeiro, insólito estar ali.

Ela - eu, vivia em um conto de Bukowski.
Entre um trago e outro trocava os lençóis.
Não restava mais álcool e ele a odiaria por isso.

Já não havia traço de luz.
Ela - eu era toda breu.

Como quem invade o quarto chutando a porta ele entrou.
Não veio sutil, não pediu permissão.
O garoto laranja se apossou de tudo a seu redor.

Ela - eu sorriu com dentes de pérola.
Amarelados.

Ele segurou seu - meu rosto.
Roubou o ar, sugou, beijou.
Línguas, lábios, saliva.

Eu hesitei, tentei fugir.
Não era hora de deixar ninguém entrar.

Mas o garoto laranja era mais esperto...
Disse que eu lhe dei todas as armas para lutar.
Então, ele roubou meu caminhão.

28 abril 2014

Desadormecer.

A tempestade passou deixando um tapete de estrelas no céu.
Embaixo dele as luzes da cidade oscilam entre o laranja e o azul.
Tudo é mais claro e calmo, como quando vejo você dormir.

Já não é mais um fardo viver insone.
Tenho agora o som da sua respiração como companhia.
E tudo me parece mais agradável.

Tolice a minha acreditar que passaria impune à sua presença.

_Diabos, que sorriso!

Eu poderia listar mil motivos, que sussurram à minha janela,
  para que eu tivesse me apaixonado.
Mas se faz desnecessário sempre que você segura minha mão,
  entorpecido pelo sono.

Tenho vivido em estado lisérgico,
  desde o dia em que seus lábios pálidos tocaram os meus.
A gargalhada ecoa solta por todas as esquinas,
  preenchendo de cores até os prédios mais insólitos.

Do fundo do breu, sua voz se faz súplica...
Pede para que eu abra os olhos.
E diz que o sonho ficou no sofá, naquela quinta feira.
Hoje nós estamos acordados e era só isso que nos faltava para viver.

20 abril 2014

Retrato em PB.

É tão cedo ainda e seus acordes já me acordaram.

Quando desperto, a primeira coisa que procuro são eles.
Que me pregam peça, dançando entre o verde e o azul, olhando fundo em mim. 
Sussurrando coisas que ainda não entendo.

Estamos correndo livres no frio, eu com sua calça de flanela, você com a maldita touca que nunca conseguiu colocar do lado certo.

(Droga, eu sempre sorrio quando você faz isso.)

Não precisamos mais mendigar amor pelas ruas NYC.
Sua timidez canta coisas lindas, enquanto as folhas de outono caem sem pressa.

Os nossos reflexos se espalham por toda a cidade e nós somos como um retrato em PB.
Eternizados em carteiras, murais, bolsos e memórias.




(E se eu posso pedir alguma coisa ao vento é que o brilho jamais se apague.
Desejo que o nosso riso jamais se cale.
E peço ao tempo encarecidamente, que os olhos, as mãos e a pele nunca deixem de se tocar...
Como no dia em que nos conhecemos.)







18 abril 2014

O meu adeus à Gabriel García Márquez.

Nem cem anos de solidão, nem toda cólera do amor, nem a memória das minhas putas que hoje também estão tristes, saberiam como contar um conto da crônica de uma morte anunciada...
Hoje só me sobram o amor e outros demônios nessa revoada tão bonita e sim, com lágrimas nos olhos.
O adeus breve que hoje bate a minha porta fica imortal nas minhas lembranças.
Que novas linhas sejam traçadas onde quer que você esteja. E eu fico aqui, ansiosa pra chegar o dia em que as lerei!
Obrigada por "haver" Gabriel García Márquez!

16 março 2014

Rosso.


Ele se fez único e vermelho, como não poderia deixar de ser.
Coloriu meu corpo assim que o tocou.
É o complemento perfeito para o verde que habita em meu peito.
Decantaram em mim seus aromas mais raros, suas notas cítricas viciaram meu paladar.

Seus olhos me tiraram para dançar e o cheiro de carvalho inundou tudo ao nosso redor.
E quando seus lábios tocaram minha nuca, a sala toda se iluminou.
Aquelas sardas ficarão guardadas para sempre no álbum da minha mente.
E esse ar de anjo não me engana.
Sei que é um demônio quando se trata de amor.


11 março 2014

Qual a sua Graça?


Ela é minha diva, meu divã;
nela me recosto, reviro,
entre os braços, que me guardam.
Meu estado mais benevolente,
ela vem do Latim. "Ella" é meu jazz...
É samba de rainha.
É Vinicius em estado de graça.
É meu tom, meu Jobim.
A moça da pele preta, do sorriso aberto.
A risada mais gostosa e escancarada.
Qual o quê... É Chico!
É bossa, é blues...
Reverberam em mim os sons que ela pode ter...
De todas que ela pode ser, ela é a minha... graça.
Qual a sua?

16 dezembro 2013

MENINA DO FAROL.


Ela perdeu o compasso, mas ainda conta as horas.
A música vem do farol, onde ela deixou seu olhar.
O som do blues encoberto pela névoa trás a sensação de solidão.
Ela espera, apegada no relógio de pulso cheio de atrasos.
Mais um romance, mais uma pausa...
De lá do fundo do mar vêm as luzes dos navios que nunca a deixam dormir.
Os dois anseiam por uma nova viagem, por novas paisagens...
A essa altura os pássaros já se aninharam nas janelas.
Aquelas que dão para a montanha.

É noite e faz tanto frio.
A areia gelada entre os dedos dos seus pés mostra que ainda há vida pulsando...
A lembrança daquelas palavras tão suaves e delicadas quanto os dedos dele, sempre que tocava piano.

Seu coração foi lançado ao mar.
O vestido longo e branco trepidando com o vento forte, parece dançar ao som da música de fundo.

É ali que ela espera.
Aspira pelo retorno dos seus olhos.
Reza para que a maré devolva seu sorriso.

Ela ficará lá... Até sé se tornar estátua de sal.
Feita de lágrimas e amor.
Assim será exibida no alto do penhasco.
E todos os homens (finalmente) irão amar a moça do farol.


24 novembro 2013

Ribeirinho.


Seus vales, suas campinas, seu ribeirão.
Suas estradas correm ao meu encontro.
Suas águas me inundam, lavam minha alma com todo o prazer.
Cada canto desse verde foi feito para o meu deleite.
Quando o céu toca o horizonte me sinto acariciada por ti.
E é para mim que seus olhos se voltam.
É por mim que sua boca procura.
Seu cerne, sua carne.
Latente e permanente.
Me invade de doçura e fúria, me estremece, pulsa, me faz gemer.
É poesia na forma mais intensa.
Agora faço parte desse seu quintal de sonhos.
Me conduz pelas estradas mais belas, rompendo cada porteira.
Agora somos amantes na imensidão...
E todos os elementos são por nós.





23 novembro 2013

Doce Como A Chuva.
















Ela cai de mansinho lá fora.
Embala os meus sonhos.
Ela me lembra você.
Toca o chão com a mesma doçura que me toca os lábios.
É tão cristalina quanto o amor que brota em nós.
O som da chuva me faz lembrar de tudo o que sussurra aos meus ouvidos.
Não tem pressa e não faz promessas.
Pode vir arrebatadora como uma tempestade, ou mansa como um gotejo em uma noite quente de verão.


"Seremos sempre como a chuva, levando à terra a beleza de recomeçar."


15 novembro 2013

Me queira bem. Meu bem.


Você é meu menino amarelo.
Que dança e se exibe todo brilhante na minha paleta de tintas.
O amarelo é tudo o que dá vida.
Como é primeira, nutre todas as cores.
É o que dá alegria à vida e deixa tudo mais claro, mais límpido.

Como o sol.

É como o dente de leão antes de se tornar penugem branca.
É a borboleta mais feliz do meu jardim.
É a areia da praia que me leva ao mar.
É o coração do mal-me-quer.
Bem-Me-Quer, Mal-Me-Quer...
Bem-Me-Quer, Mal-Me-Quer...
Bem-Me-Quer, Bem-Me-Quer...









11 novembro 2013

Lógica Temporária. Insanidade Permanente.


Coisas que tem explicação, mas não me importa.
Lya Luft me lembra luftal e meninas que brincam no meu quintal.
Criatividade sempre me leva a algo cretino, ao som do tango, mas nada argentino.
E doce parafinado que desde a mais tenra idade, nunca soube se era doce feito de vela, ou doce para gente morta.
Essa minha vida é realmente toda muito torta.

Monsenhor.


Ah, meu senhor,
me acorrenta em teu coração.

Me obriga a colher fruta do pé.

Me deixa com cheiro de manga e frescor de hortelã.

Me faz ruborizar,
vermelha carmim.

E que tão viciada eu fique, pois, ao me libertar
eu não queira saber de fugir.

Ingere-me com Moderação.


Te despertei do teu sono menino.
Para levar aos seus olhos doces gotas de poesia.
Assim como uma droga que se ingere com cautela e lentamente.

Tenha cuidado ao me ler.
Podes até me degustar como um vinho.
Mas saiba que meu excesso leva grandes dores no novo dia que nasce.

Sussurros Implorados.


O som das horas me desperta os ouvidos.
A luz do abajur ilumina minha calma.
Te leio incansavelmente até o fim.
E de fim em fim, costuro um novo recomeço

Você me pediu um poema, com sabor de jabuticaba.
Te dei um verso, como uma rosa em botão pronta para desabrochar.


05 novembro 2013

Menina.

                                      Menina dos olhos d'água,

Carinho nunca é demais.

Menina formosa, toda dengosa,
Me dá asas pra voar.

Seu coração batendo no meu peito,
Faz esse inverno acabar.
A bela que é tarde,
Sabe a noite reinventar.

Faz manha de gata,
E colore minhas manhãs.

No vale dos seus olhos d'água menina.
Santa clara, clareai.

Nesse emaranhado,
Os meus dedos nos seus cabelos de sol.
Ah, girassol.

Rodopia nos meus sonhos menina
Me dá colo, me acalenta.
Me dá asas pra voltar.